sábado, 25 de setembro de 2010

Ovelhinha Doentinha

Cof Cof faz a ovelhinha olhando para o horizonte.
Cof Cof faz a ovelhinha olhando da janela do seu quarto.

Tosse tosse a ovelhinha doentinha.
Tosse tosse a ovelhinha brincalhona.

Como queria a ovelhinha ir lá para fora Cof Cof.
Como Queria a ovelhinha poder brincar lá fora Cof Cof.

Pobre ovelhinha que quer brincar com a amiguinha. E lá vão elas saltando e pulando pelos prados verdes até a mãe chamar.

Cof cof faz a ovelhinha sonhando com esses tempos.
Cof Cof faz a ovelhinha sonhando com as brincadeiras lá fora.

Tosse tosse a ovelhinha doentinha.
Tosse tosse a ovelhinha sonhadora.

Como queria a ovelhinha nunca ficar doentinha cof cof.
Como queria a ovelhinha brincar para sempre cof cof.

"Querida ovelhinha não fiques assim. Mais uns dias e ficarás boa"

Cof Cof Faz a ovelhinha que fica a sonhar com a sua amiguinha.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A Ovelhinha e as saudades

E parou no alto do monte e suspirou, tenho saudades. A ovelhinha parou lá no alto e não conseguia parar para recuperar o fôlego. "Tenho saudades". Não conseguia parar de repetir enquanto tentava alcançar o oxigénio que se lhe escapava em cada respiração. "Tenho saudades". As palavras ecoavam na sua cabeça mas ainda pior ecoavam no peito que expandia e contraía num esforço de controlar o coração. "Tenho saudades".

Havia já bastante tempo que a ovelhinha suspirava e tentava entender. "Tenho saudades". O que era isto que ela não entendia? Do alto do monte conseguia ver tanto e no entanto a única coisa que entendia naquele dia era "tenho saudades". Nesse dia entendeu o quanto perdeu. Mas nesse dia aprendeu mais ainda. Ganhou muito mais. Se tem saudades é porque amou. Se tem saudades é porque sente.

A ovelhinha quando recuperou o fôlego finalmente sorriu. "Tenho saudades, sim." Muito devagar desceu o monte e juntou-se aos seus amigos. O momento passou e as saudades ficaram mas nunca mais foram as mesmas. A ovelhinha seguiu em frente sempre voltando ao monte para olhar à volta. Nunca mais perdeu o fôlego. Nunca mais deixou de ver a paisagem no monte. Teve saudades para sempre.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ovelha negra

Era uma vez uma ovelhinha diferente das suas irmãs de rebanho: era negra. Por isso, era desprezada e sofria todo tipo de maus tratos. As outras lhe davam mordidas, patadas; procuravam colocá-la em último lugar no rebanho. Quando estavam num prado pastando, o rebanho inteiro tentava não deixar que a ovelhinha negra provasse uma ervazinha sequer. Dessa forma, sua existência era horrível.

Farta de tanto desprezo, a ovelhinha negra afastou-se do rebanho. Durante muito tempo vagou sem rumo pelo bosque. Quando anoiteceu, exausta, a ovelhinha deitou-se, sem perceber, em um monte de farinha, onde dormiu.

Ao raiar o dia, acordou e viu, cheia de surpresa, que se havia transformado em uma ovelha muito branca, imaculada. Voltou então ao seu rebanho, onde foi muito bem recebida e proclamada rainha, pela sua bela aparência.

Naquela ocasião, estava sendo anunciada a visita do príncipe dos cordeiros, que vinha em busca de uma esposa.

O príncipe foi recebido no rebanho com grandes honras. Enquanto ele observava as ovelhas que formavam o rebanho, desabou uma violenta tempestade. A chuva dissolveu a farinha que cobria o pêlo negro de nossa ovelhinha, e ela recuperou sua cor natural.

Quando a viu, o príncipe resolveu que seria a escolhida. As outras ovelhas perguntaram por quê.

- É diferente das outras. E isso, para mim, é suficiente.

Assim, a ovelhinha negra tornou-se princesa e teve, finalmente, o destino justo que merecia.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010